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ESSE ESPAÇO É PARA TODO AQUELE QUE AMA E PRESERVA AS VERDADES BÍBLICAS, COMBATEMDO AS HERESIAS MODERNAS QUE TEM SIDO ENXERTADA NO EVANGELHO E CORROMPIDO O CRISTIANISMO.

LIBERALISMO TEOLÓGICO

INTRODUÇÃO

Esse trabalho tem o objetivo de desenvolver uma correlação analítica a respeito do liberalismo e sua influência na conduta cristã e nos alicerces doutrinários que formam os ensinos e constroem os dogmas das igrejas.

Não é possível abordar o tema liberalismo teológico sem entender o movimento do Iluminismo, isso por que a filosofia liberal é conseqüência da revolução Iluminista.

Podemos entender que o Iluminismo caracterizou-se por uma fé ingênua no homem e em suas potencialidades.

Iluminismo é o nome do movimento cultural, social e religioso que se desenvolveu na Europa no período que vai da Revolução Inglesa, em 1688, até a Revolução Francesa, em 1789,¹ ou seja, cerca de 100 anos.

Em 1784, o filósofo alemão Immanuel Kant, ao responder uma pergunta sobre o que era o Iluminismo, afirmou que era a chegada do homem à maturidade, ou seja, ao estágio em que o homem pensa por si mesmo, sem a tutela de autoridades externas, tais como a Bíblia e o Estado, que lhe diziam o que devia fazer.²

Suas principais vertentes foram uma análise fundamentada na filosofia que tinha o homem no centro de todo pensamento, no racionalismo que deixava a fé sucumbida e no conhecimento humano e cético para explicar as teorias humanistas.

O Iluminismo teve origem na Inglaterra, daí passando para a França, Itália e Alemanha. Locke desenvolveu o deísmo inglês como uma religião natural e racional dos livres pensadores.³ No campo da ética, Locke defendeu a moral natural, racional e autônoma.

Dentre os principais iluministas franceses destacaram-se, inicialmente, Jean D’Alembert (1717-1783) e Denis Diderot (1713-1784), responsáveis pela editoração da Enciclopédia, 4 que foi um poderoso instrumento para a difusão das idéias iluministas, não só na França, mas em outros países. Outra figura de destaque foi François-Marie Arouet (1694-1778), mais conhecido como Voltaire, colaborador da Enciclopédia e autor de vários tratados na área da filosofia.

O Liberalismo Teológico foi um desenvolvimento da teologia alemã posterior ao Iluminismo, onde seus defensores estavam decididos a reconstruir a fé cristã à luz do conhecimento moderno, procurando acoplar ao cristianismo os contextos da cultura desses pensamentos modernos.

O campo de pesquisa torna ideal para se entender porque o evangelho tem caminhado cada vez mais rápido no seu processo degenerativo, caracterizado por uma pregação superficial e distorcida, um falso puritanismo, um discipulado sem um firmamento concreto e dogmas indutivos.

A decadência doutrinária e a perda de identidade que a igreja tem sofrido nos últimos séculos, as mensagens que já não edificam mais nada, os louvores que não louvam mais ninguém a não serem os próprios homens, Cristo deixou de estar no centro da religião evangélica.

Ao longo dos anos nota-se que nas áreas mencionadas há uma influencia marcante do antropocentrismo e racionalismo marca originária do liberalismo teológico.

A palavra evangelho na sua singularidade deixou de ter sentido, pois as boas novas da volta de Cristo foram corrompidas pela conveniência interesseira de alguns líderes e pela omissão de não poucos ouvintes.

Nos últimos dez anos ouvem-se sermões em várias denominações acerca do que o homem é capaz, que o referencial de louvor e adoração, são letras de músicas distorcidas, assim com os ritmos sensuais que não diferem em nada da secularidade. Os hinos espirituais, salmos e divinas inspirações musicais mencionado em Efésios 5:19, passaram a dar lugar a motivações heréticas no culto ao Senhor.

As pregações deixaram de ocupar a centralidade dos cultos dando lugar a uma liturgia de entretenimento, conseqüentemente, o resultado observado ao longo desse período, são pessoas deixando de freqüentar a igreja e dela tendo aversão.

Parte daqueles que tentam permanecer, encontram-se com uma fé dúbia, fragmentada e fundada em coisas superficiais.

Lideres têm se valido de influências do liberalismo para alcançar seus objetivos: Estabilidade financeira, crescimento estrutural, fama no meio evangélico e demais que são inerentes ao caráter corrompido de cada um.

Alguns muitos pastores de baixo conhecimento a respeito do assunto, tendênciam a aderirem os movimentos pragmáticos não se importando com os fundamentos cristãos e os objetivos primários do cristianismo.

Outros poucos pastores com grande acesso ao conhecimento teológico, tornaram-se adeptos do racionalismo alcançando a admiração da parte majoritária.

Observa-se que um agravante onde isso se culmina é na proclamação de muita coisa que se ouve e pouco do que realmente se conhece.

É fundamental entender onde e como tudo tem se perdido para voltarmos a cumprir o propósito para o qual a reforma protestante surgiu: Transformar vidas pelo poder do evangelho genuíno e combater os ataques a suficiência de Cristo.

Suponha-se que tal degeneração esteja intrinsecamente relacionada ao liberalismo e seus referenciais, seus objetivos, suas influências, seus precursores e principais propagadores, sua metodologia e sua contribuição, tudo isso veremos com ênfase no campo teológico.

A priori parece uma situação absurda que isso aconteça dentro das nossas igrejas, mas isso tem estado arraigado nas liturgias dos cultos evangélicos, na mentalidade da maioria dos líderes e conseqüentemente das ovelhas, nos cânticos e nas pregações, tudo isso de maneira sorrateira.

O objetivo é contribuir para futuras pesquisas no tocante ao liberalismo teológico e suas influências na ideologia predominante na liturgia, na pregação e no louvor dentro das igrejas evangélicas na atualidade.

Hoje encontramos o reflexo dessa premissa na doutrina de muitas igrejas evangélicas que na sua maioria são adeptas a teologia liberal mesmo sem o conhecimento do que se trata, perdendo o teocentrismo.

Deixamos o conceito sentimentalista sucumbir o culto racional instruído em Romanos 12:1,5 o louvor não é mais o engrandecimento e agradecimento ao que Deus fez por nós, e sim uma motivação esperançosa da solução dos nossos problemas em letras dúbias na busca de um relacionamento cada vez mais intimo com Deus.

As melodias também não contribuem muito, se aproveita de tudo que é ritmo secular, coloca-se uma letra com nome de Deus e acha-se que a secularidade se santifica.

Tudo isso tem o intuito de tornar o culto mais agradável aos participantes, mas se o culto é para Deus, não deveríamos estar preocupados em agradá-lo antes de qualquer coisa? Será que ele tem se agradado com algumas coisas que estão sendo ditas nos louvores, ou com ritmos extravagantes que são entoados?

Talvez o maior estrago que o liberalismo tem causado na atualidade e propagado esse desvio no cristianismo esteja na pregação.

Pregação essa que deveria forjar o caráter do crente, discipulando, consolidando e transformando, já não é proclamado devido às conveniências dos responsáveis que pregam.

É difícil saber onde essa corrupção doutrinária começa. Não se pode afirmar com precisão se a culpa é do anúncio distorcido da mensagem transformadora ou da má formação de líderes como conseqüência desse evangelho já distorcido.

O fato é que a responsabilidade deve ser compartilhada entre os que hoje ouvem a mensagem e não analisam, com os que a propagam.

O chamado ministerial e sua vocação têm sido banalizados por aqueles que vêm no evangelho um meio de melhoria de vida, por isso a pregação passou a ser embasada nas conveniências dos líderes.

O evangelho distorcido tem prejudicado a formação de muitos crentes, não é possível criar uma raiz sólida capaz de sustentar alguém nos momentos de dificuldade com esse evangelho superficial que se anuncia.

Uma grande influência do liberalismo pode ser encontrada no empirismo, que recebeu uma importante contribuição com a filosofia da religião propagada por Hegel quando aceitou na sua teologia as idéias de Kant, afirmando que não haveria acesso a Deus fora da experiência.

Os pontos e contrapontos desse assunto sempre foram amplamente discutidos dentro da teologia, com isso podemos desfrutar de imensuráveis quantidades de acervo explicando, combatendo ou defendendo essa filosofia.

Devido às ideologias intermináveis sobre o assunto, sempre será possível abordar esse tema em uma ótica fomentadora.

O intuito de se abordar esse assunto além da contribuição acadêmica para futuros debates – pesquisas, também é desenvolver novas contribuições além dos pré-concebidos pelos conhecimentos prévios.

Não é pretensão desse autor findar ou tendência essa abordagem, mas contribuir para o posicionamento daqueles que ainda não tem opinião formada sobre o assunto. Pela relevância do tema, não se pode ficar alheio a essa discussão no âmbito teológico.

Busca-se promover a crítica com intuito de entender a degeneração que o evangelho tem enfrentado, mas antes, é de extrema importância conhecer historicamente o surgimento do liberalismo, seu desenvolvimento e principais precursores.

Talvez conhecendo melhor a historicidade do protestantismo e suas influências, seja possível ampliar o conhecimento a cerca da originalidade do evangelho.

O surgimento do liberalismo contribuiu para uma nova ótica de análise ao evangelho, como as citadas posteriormente.

O liberalismo teológico trouxe a necessidade de aproveitamento da teologia para melhor instruir a igreja, sendo fundamental e não podendo ser ignorada, assim como o debate e discussões contribuem para o desenvolvimento da teologia a ser aplicada dentro das instituições religiosas.

O liberalismo propaga e incentiva que o conhecimento iguala a todos e estar a o alcance dos que o buscam, não sendo algo exclusivo de um clero que se sobressaem por meio da coersitividade.

A devida relevância e a profunda complexidade desse tema principalmente no ambiente acadêmico tem motivado grandes e fundamentais escritos literários o qual sem alguns deles não seria possível desenvolver essa pesquisa.

Gresham J. Machen traz um entendimento sobre liberalismo teológico no seu livro “Cristianismo e Liberalismo” na pg 18 que “o liberalismo não é cristianismo”.6

Esse é o mesmo entendimento do Drº Augustus Nicodemus, que por sua vez é um dos mais renomados teólogos reformado combatente da doutrina liberal no Brasil, escritor de várias literaturas sobre o assunto é dele a afirmação na obra literária “O Que Estão Fazendo Com A Igreja” que, “não se fazem mais liberais como antigamente” 7 isso porque antigamente os alemãs e nortes americanos eram mais definidos em seus conceitos acerca do cristianismo.

Em suma do capítulo três dessa literatura citada anteriormente, é que, hoje em dia os liberais não se expõem tanto, negam o que realmente acreditam e defende. Isso é algo muito ruim, pois se torna um método sorrateiro e traiçoeiro de enxertar no cristianismo suas óticas de analisarem o contexto bíblico das doutrinas cristãs sem dar a chance de se defenderem delas.

Os autores mais conhecidos defensores do liberalismo são o alemão Friedrich Schleiermarcher, Julius Wellhausen e Rudolph Bultmann, esse ultimo o mais famoso erudito neotestamentário, segundo Josh McDowell. 8

A literatura mais completa no entendimento de alguns teólogos sobre os debates fundamentais das ideologias liberais encontra-se no livro “Evidências Que Exige Um Veredito” de Josh McDowell, nele encontram-se grandes refutações aos princípios do liberalismo.

Os maiores combatentes das doutrinas liberais, refutando suas ideologias ou tão somente permanecendo firme nas suas convicções doutrinárias apostólicas, são os autores da doutrina reformada como John Piper, o pastor batista Paul Wacher,o bispo anglicano John Stott. No Brasil, as obras mais conhecidas são dos autores bispo Robinson Calvacanti, Hernandes Dias Lopes e o já mencionado pastor Drº Augustus Nicodemus.

Há também aqueles que contribuem para uma pesquisa científica sem exteriorizar seu posicionamento, mas seus escritos são de grande valia para o meio acadêmico.

Dentre esses, encontra-se Drº José Roberto da Silva Constanza e seu artigo “As Raízes Históricas do Liberalismo Teológico” disponibilizado na revista Fides Reformata X, nº1(2005): pág 77-99,9.

O ponto central do liberalismo é tirar a credibilidade da Bíblia como fonte inerrante e infalível analisando-a com o pressuposto de que o homem é o centro da inspiração divina, não sendo ela palavra de Deus e sim contendo a palavra de Deus.

Esse antropocentrismo desenvolvido no Iluminismo ganhou força no liberalismo do século XVIII, desembocou e arraigou nas igrejas evangélicas contaminando a doutrina que a priori era legitimamente apostólica.

O Iluminismo enxertou no cristianismo um relacionamento entre Deus e o homem fundado no conhecimento, à medida que se pode conhecer mais do criador por meio do intelecto, ele passa a se revelar na mesma proporção, afunilando esse relacionamento com base nas experiências humanas.

A influência filosófica, socialista e principalmente capitalista entrogetada na teologia por meio do liberalismo, corrompeu o caráter e a moral daqueles que por muito tempo relutaram ao molde desse movimento.

Hoje é notório o reflexo dessa premissa na doutrina de muitas igrejas evangélicas que em sua maioria são adeptas a teologia da prosperidade, positivismo religioso focado na mensagem de auto-ajuda, perdendo o teocentrismo.

A omissão e a conivência com essa ideologia que a Bíblia contem erros e contradições afunila-se a assertiva de que os pilares de sustentação do cristianismo, como a divindade de Jesus Cristo, seu nascimento virginal, sua obra vicária, seus grandes feitos milagrosos e a ressurreição carnal são falsos.

O bem estar dos membros passou a ser de suma importância para o bom desenvolvimento do culto, com isso deixamos de adorar a Deus e passamos a adorar as pessoas.

O entretenimento fez da igreja um clube social, perdendo seus objetivos cristãos na consolidação daqueles que nela confia, em conseqüência desse foco perdido a instituição atraiu um descrédito junto à sociedade.

Invertemos preceitos fundamentais do protestantismo quando deixamos de fazer só o que a Bíblia nos permite e passamos a realizar tudo que ela não proíbe, permitindo assim uma receptividade às conjecturas sem bases bíblicas, injetando princípios humanos e racionalistas, criando conveniências que se adéquam melhor aos interesses dos que assim se beneficiam.

A propagação desse evangelho é tão expansiva devido aos resultados quantitativos, que cada vez mais se prega o que se ouve e cada vez menos o que se conhece, como o que se ouve é distorcido, a prática e conhecimento ficam comprometidos gerando uma cadeia de corrupção cíclica.

Mas a responsabilidade dessa degradação não é só dos líderes religiosos, o combate a tudo isso deve começar por cada um que identifique as distorções inseridas em suas doutrinas. Se passarmos a repudiar e combater esses desvios, talvez haja uma esperança para mudar o quadro deprimente em que o evangelho se encontra devido às influências tão sutis.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



1- CONSTANZA, José Roberto; As Raízes Históricas do Liberalismo Teológico; Fides Reformata X, nº1 (2005) pág 79-99/ Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper;

2- CONCEIÇÃO, José Manoel; Fides Reformata Vol 1 nº2 (2007) / Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper;

3- LOPES, Augustus Nicodemus, O Que Estão Fazendo Com A Igreja; Ed. Mundo Cristão, São Paulo 2008;

4- MACHEN, J. Gresham; Cristianismo e Liberalismo, Os Puritanos, São Paulo 2001, Pág18;

5- BROWN, Colin; Iluminismo; Enciclopédia Histórica-Teológica da Igreja Cristã Vol II;

6- MCDOWELL, Josh, Evidencia Que Exigem Um Veredito, Vol II, Ed Candeia São Paulo 1997;

7- HTTP://www.ipb.org.br/artigos/artigo_inteligente.php3?id=30 (acesso em 15-04-2010);

8- SHEDD, Russel e Alan Pierralt. Imortalidade. Vida Nova 1992. 256p;

9- BOFF, Leonardo. Igreja, Carisma e Poder. 3. Ed. Vozes, Petrópolis, RJ. P. 249, 19;